O Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Belém / PA), que integra o complexo assistencial do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação, administrado desde 2018, celebrou a conclusão de ciclos terapêuticos de usuários atendidos pelo serviço em março. Durante o mês, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que alcançaram os objetivos definidos em seus planos terapêuticos estão recebendo o certificado de alta qualificada, documento simbólico que marca o encerramento de uma etapa importante dentro do processo de reabilitação, sobretudo, os avanços conquistados por crianças, adolescentes e adultos atendidos no serviço especializado, que oferece acompanhamento multiprofissional a esses usuários.
A coordenadora assistencial do Cetea, Sâmilly Batista, explica que o processo de preparação para a alta é construído ao longo de todo o acompanhamento terapêutico. A previsão é de que 45 usuários recebam a alta qualificada neste ciclo de avaliação.
“O planejamento terapêutico é constantemente avaliado pela equipe multiprofissional. À medida que os objetivos são alcançados, trabalhamos também a preparação das famílias para esse momento, garantindo segurança e previsibilidade ao processo”, explica.
Cada ciclo de intervenção tem duração média de seis meses e inclui estratégias terapêuticas individualizadas, além de orientações e treinos parentais voltados aos familiares.
Segundo a terapeuta ocupacional Taila Bastos, a entrega do certificado também representa o reconhecimento do esforço das famílias durante todo o processo. “Muitas vezes os responsáveis reorganizam toda a rotina para garantir a participação nas terapias. Ver os avanços alcançados e reconhecer esse percurso é algo muito significativo para todos os envolvidos”, afirma.
Continuidade do cuidado
Sâmilly Batista também explica que o Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha o indivíduo ao longo da vida. “No contexto da reabilitação, o foco do cuidado está no desenvolvimento de habilidades, na promoção da autonomia e no fortalecimento das famílias, respeitando sempre as características e necessidades de cada pessoa”, detalha.
Nesse sentido, a alta terapêutica representa a conclusão de um ciclo de intervenção após o alcance dos objetivos estabelecidos no Plano Terapêutico Singular (PTS). “Esse momento indica que os ganhos planejados para aquela etapa foram atingidos, possibilitando a readequação das intensidades de acompanhamento conforme as necessidades de cada usuário”, continua a coordenadora.
A proposta de reconhecer publicamente esses avanços foi discutida e aprovada no âmbito do Conselho Consultivo de Usuários e Familiares do CIIR, espaço participativo que se reúne mensalmente e conta com representantes de usuários e familiares das diferentes linhas de reabilitação da instituição. Sâmilly ainda conta que a iniciativa surgiu a partir da escuta dessas famílias, “que destacaram a importância de valorizar as conquistas alcançadas ao longo do processo terapêutico”.
Além de marcar a conclusão de uma etapa importante, a entrega do certificado reforça o impacto do trabalho desenvolvido pela equipe multiprofissional do Cetea, que mantém índice médio de satisfação de 97,10% entre os usuários, segundo levantamento do Serviço de Atenção ao Usuário (SAU).
No CIIR, a alta terapêutica não representa o fim do cuidado, mas a conclusão de um ciclo dentro do processo de reabilitação. A partir desse momento, as famílias seguem orientadas quanto à manutenção das habilidades desenvolvidas e aos caminhos de continuidade do cuidado na rede de saúde, garantindo suporte e acompanhamento conforme as necessidades de cada usuário.
Referência – O CIIR é referência no Pará em assistência de média e alta complexidade às Pessoas com Deficiência (PcDs) visual, física, auditiva e intelectual. Os usuários podem ter acesso aos serviços do Centro por meio de encaminhamento das unidades de Saúde, acolhidos pela Central de Regulação de cada município, que por sua vez encaminha à Regulação Estadual. O pedido será analisado conforme o perfil do usuário pelo Sistema de Regulação Estadual (SER).
Serviço – O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação é um órgão do governo do Pará administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Funciona na Rodovia Arthur Bernardes nº 1000, em Belém. Já o Cetea funciona na Rua Presidente Pernambuco, nº 489, bairro Batista Campos, também em Belém.
(Com informações da Ass. de Comunicação do CIIR / Cetea).
