HMUE: laboratório de órteses do hospital produziu mais de mil dispositivos em 2026

O Laboratório de Tecnologia Assistiva (Labta) do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (Ananindeua / PA), administrado desde 2022, produziu 1.052 dispositivos para auxiliar no tratamento e na reabilitação de pacientes internados na unidade. As soluções são desenvolvidas de forma personalizada pela equipe de Terapia Ocupacional, de acordo com as necessidades de cada pessoa e os objetivos definidos durante o acompanhamento terapêutico.

O resultado mantém o laboratório como um importante recurso de apoio à assistência hospitalar na unidade, que pertence à rede pública de saúde. Em todo o ano de 2025, foram produzidos 1.988 dispositivos, entre órteses, coxins e adaptações utilizadas para auxiliar na mobilidade, no posicionamento corporal, na prevenção de lesões e na realização de atividades do dia a dia.

A terapeuta ocupacional do HMUE, Samanta Oliveira, explica que a produção parte da avaliação das necessidades apresentadas pelo paciente durante a internação. “Os recursos podem ser utilizados para diferentes finalidades, como proteção de áreas lesionadas, posicionamento adequado de membros, prevenção de complicações e estímulo à recuperação da funcionalidade”, complementa.

Um dos pacientes beneficiados pelo trabalho é Antônio Samuel, de 26 anos, vindo de Santa Maria do Pará. Internado há mais de dois meses no HMUE após sofrer um choque elétrico que resultou em amputação bilateral, ele recebeu um dispositivo desenvolvido para facilitar a realização de atividades simples, como se alimentar e utilizar o celular.

“Estou mais feliz porque consigo fazer essas coisas simples: mexer no telefone ou me alimentar. Antes do dispositivo eu usava só o cotozinho do braço, malmente olhava as coisas. Agora mudou muito. Para eu comer também, só minha mãe que me dava, agora eu já posso comer sozinho”, relata.

Tecnologia dentro do hospital

Criado em 2019, o Labta funciona dentro do HMUE e tem como diferencial a produção de recursos de tecnologia assistiva utilizando materiais acessíveis e de baixo custo, como PVC, EVA, velcro, espuma e acetato.

A proposta permite que os dispositivos sejam confeccionados e adaptados conforme as características de cada paciente, integrando tecnologia e cuidado individualizado ao processo de recuperação. “A possibilidade de produzir os dispositivos na própria unidade permite que a equipe avalie a necessidade, desenvolva o recurso e faça os ajustes necessários de maneira integrada ao acompanhamento terapêutico”, reforça Samanta.

Cuidado aliado à saúde mental

Para além dos aspectos físicos provocados por acidentes graves, o processo de recuperação também pode envolver mudanças na autoestima, na percepção sobre o próprio corpo e na relação do paciente com as atividades que faziam parte de rotina. Nesse contexto, voltar a realizar tarefas simples pode representar um passo importante para a adaptação a uma nova realidade.

“Além do impacto assistencial, cada dispositivo representa uma possibilidade de reconexão do paciente com a realidade que vivenciava antes do acidente. As vítimas de choques elétricos graves, muitas vezes, precisam passar por amputações de braços ou pernas, o que provoca não apenas impactos físicos, mas também emocionais. Por isso, buscamos contribuir para esse processo de recuperação, possibilitando a retomada, mesmo que gradual, de atividades simples do dia a dia”, finaliza.

(Com informações da Ass. de Comunicação do HMUE).